26/02/2012

Muito mais que algumas noites de diversão.



Desde que Some Nights, o novo (e segundo) álbum da banda fun. - Nate Ruess, Andrew Dost e Jack Antonoff - foi liberado para stream, alguns dias antes de seu lançamento oficial (no último dia 21), o escutei muito, mas MUITO mesmo. Mesmo o tendo escutado tanto, não consegui parar para fazer uma crítica sobre. Não por falta de tempo (que ok, contribuiu), mas porque não sabia o que escrever... E ainda não sei. Confesso que estou começando esse post sem ter uma linha clara de raciocínio à seguir (algo que raramente faço)... Vamos ver no que dá.
Já faz quase um ano que falamos da banda pela primeira vez aqui no blog, quando lançaram o buzz single "C'Mon" com seus colegas de gravadora, o Panic! At The Disco. Nessa época, por ter gostado tanto da música, fui procurar mais sobre, e descobri que haviam lançado seu debut album em 2009, sob o nome Aim & Ignite. Disco que, sabe lá o porque, foi quase que completamente ignorado pela crítica e público. O que é uma pena, pois é maravilhoso, e teve singles ótimos (com clipes igualmente bons) como "Walking The Dog" e "All The Pretty Girls".
Sabe aquele negócio de que quando algo é ruim, você fala pra todo mundo, e quando é bom, quer guardar pra você? Sei lá, tipo se você encontrar um cabelo na comida de um restaurante chiquérrimo, vai querer sair espalhando por aí. E se achar um Café super charmoso e desconhecido, não vai querer que muitos saibam. Então, minha reação inicial com eles foi um pouco assim. Um ciuminho hipster idiota somado a falta de tempo para fazer posts mais detalhados sobre (vocês se espantariam com a quantidade de postagens do tipo "Você precisa conhecer X artista" acumuladas no rascunho do Blogger há tempos...).
Mas aí em setembro o trio retornou com novidades: "We Are Young", o primeiro single do novo trabalho, até então sem nome, com a participação de ninguém menos que Janelle Monáe. E o negócio era tão bom, mas tão bom, que extrapolava a vontade de guardar pra si, levando para o "muito pelo contrário", ou seja, para o "CACET*, TODO MUNDO PRECISA ESCUTAR ISSO AGORA!!11!!!111!".
Embora a música tenha sido postada em vários blogs e sites, principalmente os sobre música, ela só foi chamar atenção mesmo depois que ganhou, em novembro, uma versão acústica registrada em vídeo, mais uma vez contando com a Janelle. Tanto que até a produção do seriado Glee viu, gostou e incluiu a canção num episódio, que foi ao ar em dezembro. Daí em diante, ela estourou. Tanto a versão Glee, como a original, ficaram por algum tempo entre as mais vendidas no iTunes e pasmem, ela chegou a atingir o 3º lugar no Hot 100 da Billboard, ao lado de hits da Adele e Kelly Clarkson (atualmente está em 6º)! Por tal e para tal sucesso, ganhou um novo clipe, super bem produzido e com um orçamento provavelmente alto.
Embora tenha se tornado mais frequente atualmente (Foster The People, no ano passado, que o diga) - principalmente com a popularização da internet - ainda é raro casos de bandas "indies" que se tornam tão "mainstream". E isso é ótimo! Afinal eles merecem eles merecem, eles merecem ~faz coro~.
Some Nights é a prova irrefutável deste merecimento.
Ele é todo o potencial que ouvimos em Aim & Ignite, somado à exploração de novas sonoridades - como nas batidas eletrônicas de "It Gets Better" ou nos gritinhos à la Lana Del Rey em "Out On The Town" - e a um conceito/teatralidade, que o deixa com ares épicos - como na bem construída "All Alright" ou nessa cara de 'hino da juventude' que é "We Are Young".
Claro, nem tudo é perfeito. Quando você se permite experimentar, também arrisca-se a errar. E os erros de Some Nights são duas faixas, coincidentemente, seguidas na tracklist: A maximalista e barulhenta "One Foot", e em "Stars", onde a voz de Nate foi modificada a ponto de ficar irritante. Mas nada que atrapalhe o conjunto da obra, que na minha humilde opinião, foi o melhor CD do ano lançado até agora.

Escute: "Some Nights", "We Are Young" e "All Alone".



Devido justamente ao lançamento, a banda teve bastante novidade na semana que passou. Participaram do programa do Conan O'Brien, fizeram um especial com entrevistas e performances para a MTV Push, e lançaram um novo clipe, para a música que abre o disco, "Some Nights Intro".
Dirigido por Poppy de Villeneuve, sob várias inspirações (desde Queen, até Kubrick) o vídeo mostra o trio se apresentando num jantar de gala, e dá a entender que precede a história vista no clipe de "We Are Young". Assista abaixo:


_

3 comentários

Caio Brandão disse...

Édipo, adorei seu post. Não importou o tempo até agora, deu ainda mais vontade de colocar o álbum de novo aqui.

Acho que foi esse mesmo feeling ao ouvir... definiu perfeitamente o "ciuminho hipster" hehe.
Confesso que minha faixa favorita é "All Alright", gosto estranhamente do jeito que ele repete o refrão.
Quero muito ver/ouvir uma vers
são acústica  de "Stars" para mudar esse tom irritante que ela adquiriu.Desejo realmente que eles sejam um grande sucesso (e tb continuem se aventurando mas sem perder a essência).

=]

Henrique Fernandes disse...

Por mais que você tenha falado mais da banda do que do cd em si, ficou maravilhoso o post. Sobre one foot e stars, meio que tenho uma teoria: se você pensar no cd como uma noite só, one foot/stars seria a parte  final da noite (pós balada bebado) e dos sonhos...tanto pela sonoridade e pelas letras de ambas as músicas. One foot é meio que "vamos continuar vivendo e amanha tem mais" e stars é "to dormindo pensando em você, to sonhando com você, a porra ta ficando louca, louca louca...acabou" E out of the town seria o começo de um novo dia/nova vida. (a mudança de sonoridade/letras entre stars/out of the town é muito gritante pra passar despercebidas


Queria muito conversar com a banda sobre isso pra saber se estou certo sobre essa "história" do cd que eu imaginei, mas depois de pensar nisso, ouvir stars ficou bem mais agradável, hehe.

Édipo Barreto disse...

O álbum claramente é conceitual, ou seja, tem uma história, começo, meio e fim. Logo sua teoria com One Foot e Stars faz super sentido. E o recomeço em Out on the Town tb, já que essa faixa é  uma bonus track. Dentro do conjunto da obra, ok, as escuto (não gosto de pular faixas). Mas digamos assim que eu não as colocaria (One Foot e Stars) separadas na minha playlist, e Its Get Better também não. rs

Como disse o Caio aí em baixo, Star poderia/poderá ser interessante numa versão live/acústica, sem os efeitos na voz do Nate. hum

Postar um comentário