No álbum #willpower, Will.I.Am tenta fundir tecnologia, pop e consciência social



Depois de vários adiamentos, eis que Will.I.Am disponibiliza seu novo álbum solo para audição de Deus e o mundo. E se você torceu a cara e pensou "Ok, tanto faz", talvez seja melhor repensar sua atitude.

#willpower não é uma obra prima (e ninguém esperava isso dele). Mas também não é a mesmice monótona que estamos acostumados - e cansados - de ouvir de grandes artistas mainstream. É claro, Will não foge de seus estereótipos, mas quase chega ao ponto de criar uma imagem mais fluida.

As canções que não apresentam nada de novo estão, ainda bem, quase todas no começo do álbum. Além dos hits que já cansamos de ouvir, como "Scream & Shout" e "This Is Love", "Hello" e "Let's Go" estão ali só para cumprir cota. Essa última, com a participação de Chris Brown, mais genérica impossível. Somente a introdução, "Good Morning", se salva dessa sabatina.

Felizmente, com "Gettin' Dumb" o álbum dá uma guinada muito bem vinda. Dividindo os vocais com Apl.De.Ap e 2NE1, Will.I.Am entrega uma música inspirada no house. Tristemente, não tem aquela pitadinha de k-pop que esperávamos, mas ainda assim é uma grata surpresa o modo como é conduzida a canção.

A parte ~tecnológica~ do trabalho começa, e muito bem, com "Geekin'". Já não fosse sua sonoridade 8-bit que te conquista de primeira, a música ainda traz um dos melhores samples ever. Não vamos contar para não estragar a surpresa. Esse clima continua com "Freshy", com Juicy J, mas para em "#thatPOWER", com Justin Bieber. Foi genial dar esse nome à canção, mas, ao mesmo tempo, um ato superestimado.


"T.H.E. (The Hardest Ever)", com Jennifer Lopez e Mick Jagger, ficou de fora.

Fazendo uma enorme confusão lírica, Will começa a introduzir sua consciência social: "The World Is Crazy", com Dante Santiago, e "Ghetto Ghetto", com Baby Kaely, mostram um lado bem interessante do cantor. Mas intercalá-las com canções pop causa estranhamento. Ao menos "Fall Down", "Love Bullets" e "Far Away From Home", com Miley Cyrus, Skylar Grey e Nicole Scherzinger, respectivamente, são canções muito boas. Um pouquinho deslocadas, mas boas.

Para mostrar o seu "poder do Will", ele não chama ninguém pra dividir os vocais nas três últimas faixas. Uma grata surpresa. Se em seu lançamento, "Reach For The Stars" foi envolta de notícias singulares, com a primeira música a ser lançada em Marte (oi?), agora sabemos que foi só uma metáfora fortíssima, diga-se de passagem, para Will acariciar seu ego. Mas a melhor nem fica com a canção marciana e sim com "Smile Mona Lisa". Ela é completamente destoante do restante do álbum. Contida, praticamente acústica para seus padrões e com uma historinha linear que facilita comprá-la logo de cara.

Dá pra perceber que Will.I.Am não quer muito fugir de sua zona de conforto. Ok, direito dele. Ao menos o artista pontua aqui e ali uma produção mais apurada e diferenciada, mesmo que isso não signifique um salto de qualidade tão grande em sua discografia. Além de que o álbum poderia ter umas 4 ou 5 músicas a menos. Apesar de tudo, Will se mostra disposto a experimentar. #willpower tem potencial para ser a semente de que algo, quem sabe, realmente poderoso possa vir daqui a alguns anos.



P.S.: só por curiosidade, jogue "will.i.am" (sem aspas) na barra de endereço do seu browser, como se fosse fazer uma pesquisa. Pois é.
quedelicianegente.com

2 comentários :

  1. Achei o álbum muito gostoso de se ouvir. Realmente gostei. Eu estava esperando por uma porcaria, mas Will sambou em minha cara. Claro, tem algumas músicas que não descem nem se dissolverem em Soda Cáustica, como é o caso de "Ghetto Ghetto" (Sério isso? Cristo! Música irritante.)

    Agora é sério. Quero um clip PRA ONTEM de "Gettin Dumb" e "Fall Dawn". Sério. Estão entre as 3 melhores do álbum para mim. Enfim. Eu daria um 8,0 para o álbum.

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  2. Na Smile Mona Lisa... Os vocais femininos são da Nicole Scherzinger! <3

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