Papo: A importância de quando um “Eu sou gay” vem de uma celebridade



Como mudamos de layout, decidimos trazer algumas novidades também. Uma delas é o resumo dos filmes que vão estrear na semana, como vocês puderam conferir ontem. Outra é uma seção Papo.

Decidimos criar um espaço para comentarmos sobre qualquer coisa (mesmo) e, quem sabe, gerar alguma discussão saudável. Para estrear, nos inspiramos no discurso que Ellen Page fez recentemente.

Quando uma celebridade vira notícia porque se assumiu gay, isso tem uma importância forte na sociedade. Pode parecer exagero, mas não é. A verdade é que vivemos no mundo do espetáculo e pessoas famosas vão sempre tomar um grande espaço nos meios midiáticos. Do ponto de vista comunicacional, não faz sentido achar que essas notícias não precisam existir porque ser gay é algo normal e ninguém deve se surpreender com isso. Quer coisa mais normal do que "passear pela orla do Rio de Janeiro"? Pois é, e todo dia tem nota sobre isso.

Ainda hoje, gays morrem todos os dias pela sua sexualidade. E, nesse cenário, um artista se assumir homossexual tem sua importância. Ser gay é natural, mas não devemos achar que esse tipo de notícia é ruim porque elas parecem sensacionalizar o que é normal. Não é bem assim, oito ou oitenta. Vamos pensar um pouco no mundo que nos rodeia.

Quantas notícias sobre atos extremamente violentos contra homossexuais na Rússia você lê? Quantas vezes viu meio mundo desesperado para proteger a Comissão dos Direitos Humanos de pessoas que não querem defender as minorias? Você sabe que homofobia não é só matar, mas também é um olhar desviado quando namoradas decidem se dar as mãos no McDonalds. E a celebridade, distante e intocável, tem muito a ver com isso.



Noticiar que Tom Daley, Matt Bomer e tantos outros são gays não é uma tentativa de normalizar a homossexualidade, mas de dar visibilidade a algo normal. Claro, é fácil se sentir incomodado quando se vive essa realidade 24 horas por dia, 7 dias por semana. Mas, só por um momento, pense no casal hétero que acha How I Met Your Mother melhor que Friends e descobre que Neil Patrick Harris é gay. Ou nas meninas que descobriram que Ricky Martin, a paixão delas na adolescência, gosta de homens. Isso ajuda essas pessoas a entenderem que não faz a MENOR diferença a sexualidade de alguém.

Isso tudo faz parte de uma construção gradativa e lenta de nos aproximarmos de um ponto em que o mundo não vai se inclinar a dar importância por qual gênero tal pessoa sente desejo. Claro que isso não quer dizer que toda celebridade gay tem a obrigação de se assumir. Cada um tem seu tempo e seus motivos, o que não devemos negar é a importância que esse ato tem, tanto para quem faz parte da comunidade LGBT, quanto para quem não faz.

Não foi incrível ver a demonstração de carinho entre dois homens amarrar o último capítulo de uma novela do horário nobre? Atos políticos não se resumem ao desenvolvimento de leis. A bandeira pela igualdade não está ancorada somente em manifestações públicas, como a Parada Gay. Não precisamos, e nem devemos, achar que só um desses atos é importante e que os outros são meros alegorismos.

Noticiar "Ellen Page é lésbica" pode sim ter um quê de sensacionalismo por meio da abordagem que alguns veículos fazem. Mas talvez isso seja um pequeno primeiro passo para que "Ellen Page e namorada vão à restaurante vegano" se torne só mais uma notícia de portais Egocêntricos. Não se deve minimizar um ato só porque, de onde você está, ele parece pequeno.
quedelicianegente.com