Crítica: Em “V”, Maroon 5 parece ser uma cantora pop oitentista e um duo eletrônico



Esperamos com suor nas mãos o quinto álbum do Maroon 5. Depois de dois anos sem material novo e com a aparição semestral do muso Adam Levine no The Voice, a ansiedade não foi pouca para que ouvíssemos V.

Com o lançamento de "Maps" e declarações do vocalista, sabíamos que podíamos esperar um registro tão pop quanto - ou mais - o quarto disco dessa rapaziada. O que não esperávamos era que a sensação de "isso parece familiar" que o lead single causou permeasse todo o material.



É impossível passar por V sem se pegar pensando, repetidas vezes, na voz de qual artista aquela canção cairia como uma luva. E isso não é consequência de um saudosismo pelo "velho Maroon 5", aquele que pendia mais para o rock do que se considerar pop e pronto. É só uma sensação que não passa despercebida por nenhum ouvinte.

A inspiração clara nos anos 80 é muito bem vinda sim, mas parece que faltou acoplá-la à alguma característica que desse cara de Maroon 5. Vemos isso claramente em "New Love" e "Coming Back For You". As duas, com suas boas composições, servem como tentativa, mesmo que sejam cansativas. O mesmo não acontece em "Feelings", um dos destaques. A música grita "disco!" de um jeito muito divertido, ainda mais com o uso dos falsetes de Adam (só ao vivo que será um problema, como bem sabemos).

O synthpop presente em algumas faixas dá as caras logo na terceira música, "It Was Always You". A canção acerta em muitos pontos, mas peca na letra simplista e preguiçosa. O mesmo acontece com "Sugar", com sua composição clichê, genêrica e facilmente encaixável na voz de qualquer artista. Felizmente, ali por perto, a banda nos apresenta as super catchy "Animals" e "In Your Pocket", com suas percussões marcadas.

Para todos os efeitos, para equilibrar os delizes, podemos sempre contar com as baladinhas das bandas. "Unkiss Me" traz um pequeno coro e se destaca entre as outras desse mesmo estilo e "Leaving California" deve conquistar os mais saudosistas. Só que como nem tudo são flores, "My Heart Is Open" é a decepção do registro.

O dueto com Gwen Stefani poderia ser o ponto alto de experimentação de V, mas se contenta em ser apenas uma colaboração clássica, com um quê de brega e, novamente, algo que qualquer um poderia ter feito. Quando olhamos para o histórico de duetos que a banda já fez em colaboração com outras cantoras pop, a discrepância na qualidade fica ainda maior.

Como bônus da versão deluxe, Maroon 5 escolheu músicas que são puro fanservice e não acrescentam nada ao álbum. Temos uma música mediana que passaria batida ("Shoot Love"), um cover gostosinho de Marcy Playground ("Sex And Candy") e a música solo de Adam para o filme Mesmo Se Nada Der Certo ("Lost Stars").

Não podemos negar que V funciona dentro de sua proposta e, apesar dos pesares, é um álbum redondo. Isso, contudo, parece conflituoso quando percebemos o quanto o álbum busca mais emular terceiros do que fortalecer/criar alguma identidade para a banda. Para quem ainda não aceitou que os moços estão de vez no pop, tudo fica ainda mais complicado. O material é uma paisagem sonora de seu nome: um disco estranhamente semi-homônimo.


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