Duo hip-hop feminino OSHUN mistura política, cultura e espiritualidade. Conheça!



Com os assassinatos de jovens negros pela polícia e as decorrentes manifestações em Baltimore e Detroit, EUA, neste ano e no passado, muita coisa mudou na esfera social do cenário musical atual. Janelle Monáe, Kendrick Lamar, Azealia Banks e J. Cole são alguns dos artistas que fizeram questão de abordar política em suas canções com o intuito de resistência e transformar a visão do público. Da mesma forma, as novatas da música Thandiwe e Niambi Sala escolheram marchar ao tom de seu próprio tambor e fazer a diferença.

Enquanto se dividem entre as graduações na Universidade de Nova York (NYU), as duas compõem e gravam música como o duo OSHUN. Nascidas na capital dos Estados Unidos e com 19 anos, as jovens fazem uma mescla de neo-soul e hip-hop com influências culturais iorubás, do reggae e música de raiz. Suas principais inspirações sonoras são Lauryn Hill, Erykah Badu, John Coltrane, Miles Davis e Herbie Hancock.

Para quem não sabe, iorubá é um dos maiores grupos étnico-linguísticos da África Ocidental, constituindo aproximadamente 21% da população da Nigéria. Muitos dos escravos trazidos às Américas eram dessa etnia e sua influência aqui no Brasil passa pela língua, culinária, religião e diversas outras expressões. Um exemplo disso na música nacional atual é Karol Conká, que faz faixas citando orixás, como "Sandália".

Ao se conhecerem no grupo de orientação para bolsas Martin Luther King da NYU, as duas se tornaram amigas e, após uma noite de música e dança no dormitório do campus, resolveram formar o projeto. O nome deriva de um orixá feminino da religião iorubá, candomblé e umbanda que reina sobre a água doce dos rios, o amor, a intimidade, a beleza, a riqueza e a diplomacia. Aqui a divindade é conhecida como Oxum e é bastante cultuada nas religiões de matriz africana.

O primeiro EP da dupla, intutulado AFAHYE, tem quatro faixas. "#", a mais popular delas e que ganhou um clipe, possui samples de "Midnight" do grupo A Tribe Called Quest, e é uma declaração impenitente que incita a pensar criticamente acerca de problemas sociais atuais. Uma bandeira dos EUA é queimada sinalizando resistência e as duas usam blusas incríveis que estampam "I met God. She's black." (Eu conheci Deus. Ela é negra.). Assista:



Há duas semanas lançaram o disco ASASE YAA - que pode ser ouvido e baixado de graça no Soundcloud da dupla - onde Thandiwe e Niambi continuam a fazer música com consciência da opressão negra na realidade norte-americana, com letras protesto sobre emponderamento social, mas também amor, paz, espiritualidade e respeito à natureza.
quedelicianegente.com