Já assistimos o piloto de “Fear The Walking Dead” e contamos tudo pra você



Hoje (12), aconteceu a première exclusiva para imprensa brasileira do aguardado spin-off de The Walking Dead, Fear The Walking Dead. E nós também estivemos lá para poder contar as novidades da nova e ágil narrativa da gênese do mundo em iminente decadência criado por Robert Kirkman.

O suspense tecido pela AMC sobre os detalhes da trama foi grande. Isso ficou perceptível quando ocorreu uma falha técnica rápida no início da exibição do piloto aos jornalistas devido aos procedimentos de segurança - algo que a gente jurava ser proposital, já que, em tempos de pegadinhas do Silvio Santos com o tema, seria um momento bem propício para aparecerem zumbis dentro do cinema, né? Haha!

Contratempos à parte, fomos recebidos por Juan Carlos Gamboa, o vice-presidente de marketing e comunicações da AMC latino-americana. Ele revelou que os personagens e enredo da prequela são totalmente diferentes da série da qual deriva e dos quadrinhos que lhe deram origem.

Mas vamos ao que interessa, afinal faz 5 temporadas que todo mundo quer saber como o apocalipse zumbi teve início! Avisamos de antemão que o texto contém leves spoilers! Caso sua ansiedade aguente até a estreia (agora no dia 23), pule direto para o parágrafo após o vídeo, ok?

O episódio começa com Nick (Frank Dillane, o jovem Tom Riddle de Harry Potter e o Enigma do Príncipe e o Shugs, aquele amigo drogadinho falsiane da Riley, de Sense8 ) acordando em uma igreja abandonada após mais uma noite regada à drogas. Com enquadramentos nauseantes, ele presencia sua amiga se refestelando com a carne do pescoço de um outro usuário de entorpecentes. Assustado e confuso, o jovem corre e acaba sendo atropelado por um carro, sendo levado ao hospital por um transeunte.

E depois desse início cheio de ação, conhecemos o restante da família: o protagonista Travis Manawa (Cliff Curtis), um professor de história do ensino médio e padrasto de Nick; sua mãe Madison Clark (Kim Dickens), uma perspicaz e dedicada professora do ensino fundamental; e Alicia (Alycia Debnam-Carey, a Lexa de The 100 ), uma colegial brilhante que teve que aprender cedo a ser madura para lidar com as cisões entre seus entes queridos. Mais adiante, nos são apresentados os outros elos familiares de Travis: Liza (Elizabeth Rodriguez, a Aleida Diaz de Orange Is The New Black), a ex-companheira de Travis e seu filho Chris (Lorenzo James Henrie), um garoto que reage com revolta à ausência do pai.

Em meio à aparente alucinação psicotrópica, mais eventos - como um estudante explicando à Madison os rumores da internet sobre um suposto vírus se espalhando e um vídeo de uma vítima falecida atacando paramédicos e sobrevivendo aos disparos de policiais viralizando na rede - culminam em uma atmosfera conspiratória para dar sentido ao caos, algo bem enraizado no imaginário estadunidense. Mas a ameaça apenas se torna tangível quando alguém próximo à família é afetado, causando uma reviravolta emocionante na trama.

Sim, mais ou menos o que vimos de forma bem resumida no trailer:



Quanto a parte técnica, descobrimos que produção teve um grande investimento. Na equipe por trás das câmeras, além de nomes conhecidos em TWD, há pessoas que já trabalharam em outros programas de peso, como Breaking Bad e Mad Men. "O seriado é o primeiro do canal (AMC) a ser exibido simultaneamente em diversas parte do mundo", declarou Gamboa.

Ao decorrer do capítulo, percebemos a razão dos núcleos familiares aparentemente disfuncionais; um pai emotivo dividido entre os agrupamentos, mães pragmáticas e filhos problemáticos. O jovem viciado com um forte quê de anti-herói - que acaba sendo o arauto do apocalipse zumbi -, a filha aparentemente perfeita e o filho cheio de couraças devido a carência afetiva, possuem seus dramas individuais típicos da idade.

O fato da maior parte do elenco ser latino obviamente não foi algo aleatório. A personalidade sentimental deles claramente aproxima a comunidade global hispânica da trama, além da brasileira e quiçá até mesmo os espectadores da Europa latina (Portugal, Espanha, Itália, entre outros). Já o novo modelo de família, que há muito está se transformando, também cria uma conexão instantânea com o público em geral.

Em suma, muito além do thriller, Fear The Walking Dead aborda temáticas espinhosas que urgem reflexão. O paradigma contemporâneo de quão enfraquecidos podem ser os laços humanos com a exacerbada conectividade tecnológica; as sutis críticas aos tradicionais e frágeis pilares da civilização; a fé cristã, a família, a ciência, a política, o exército e mídia. Como bem coloca Cliff em sua aula, ao citar O Grito da Selva de Jack London, na batalha entre homem e natureza, a segunda sempre vence. Esses são alguns dos fatores que a tornam extremamente atual e provam que seu potencial de sucesso mundial é enorme.


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