Retrospectiva 2016 Pt. 4/6: os melhores filmes e as melhores séries do ano



Seguindo a nossa Retrospectiva 2016, na qual já listamos os melhores clipes, os melhores álbuns, os maiores hits, melhores singles e revelações musicais, chegou a hora de falarmos das melhores séries e filmes dos últimos doze meses.

Sabendo que nem todo mundo iria namorar, ou mesmo sair pra balada nos finais de semana, tanto a indústria televisiva quanto a cinematográfica capricharam em produções que fizeram a companhia de muita gente em 2016.

Então, selecionamos os vinte filmes e vinte séries mais legais, levando em conta não só a qualidade, mas também o contexto "pop" no qual os assuntos abordados no site estão inseridos. Então sim, blockbusters também podem ser muitos bons!

Outro ponto importante, no caso os longas, é que tivemos várias estreias no Brasil de produções do ano passado - como a maioria dos indicados ao último Oscar. No entanto, demos preferência aqueles lançados e produzidos neste ano.



Animais Fantásticos e Onde Habitam (David Yates):

J.K. Rowling nos introduz novamente no seu mundo da magia de uma maneira que somente ela consegue. Por ter controle daquele universo em sua mente, Animais Fantásticos mostra de maneira fácil como essas narrativas podem crescer. Com personagens relacionáveis e cativantes, o filme não nega ser um blockbuster, mas nem por isso se afasta de temas sempre trabalhados pela sua idealizadora sem ser piegas: perseverança, amizade e o triunfo de quem faz o bem.



Rua Cloverfield, 10 (Dan Trachtenberg):

Sem ser uma sequência ou mesmo uma prequela, Rua Cloverfield, 10 demonstra a habilidade da companhia de produção Bad Robot em lidar com a ficção científica instigando o público sem parar. O longa nos apresenta três protagonistas presos em um abrigo enquanto o mundo acaba do lado de fora. Com as atuações certeiras dos atores, o filme trabalha bem as reviravoltas, que por mais que apontem um roteiro megalomaníaco, sabem manejar com folga toda a atmosfera.



Deadpool (Tim Miller):

Com grande fidelidade à obra original, Deadpool mantém o mesmo tom dos quadrinhos. Humor ácido, violência e quebra da "quarta parede", que permite ao protagonista dirigir-se diretamente ao espectador, são os ingredientes principais que tornam esta uma das melhores adaptações do ano. Não somente o longa traz ótimas cenas de ação - com destaque para a sequência inicial -, mas ainda abusa de referências e críticas à própria Fox, à franquia X-Men e aos filmes Lanterna Verde e Wolverine.



Moonlight (Barry Jenkins):

Baseado na peça de teatro In Moonlight Black Boys Look Blue, a película acompanha Chiron em três fases de sua vida - infância, adolescência e vida adulta - crescendo em um bairro pobre de Miami. Um olhar menos atento poderia, facilmente, reduzir este filme a uma produção de nicho. Do contrário, Moonlight é uma história sobre autoconhecimento, retratado com franqueza emocional e imensas doses de solidão.




Mogli: O Menino Lobo (Jon Favreau e Wolfgang Reitherman):

Como toda produção da Disney, Mogli: O Menino Lobo carrega boas doses de fofura extrema. O que diferencia a produção de outras do gênero, é a inclusão da violência, de situações de isolamento e de perseguições, já presentes no clássico animado de 1967. Mais do que uma releitura, o longa propõe-se à uma homenagem ao desenho, atualizando a história através dos cenários e das criaturas da selva, todos construídos através de um belo uso da computação gráfica.



Animais Noturnos (Tom Ford):

Animais Noturnos é muito mais do que um exercício cinematográfico de Tom Ford, mas uma certeza de onde o estilista deseja chegar como diretor. A história acompanha uma curadora de arte (Amy Adams, mais uma vez) que tem sua ligação com o ex-marido (Jake Gyllenhaal) refeita. Enquanto segue uma estética perfeita, o longa costura todas suas tramas com firmeza impressionante e não deixa os espectadores escaparem de sua narrativa nem mesmo por um segundo.



Elle (Paul Verhoeven):

Retratar um assunto polêmico e complexo, como o estupro, pode levar o roteiro a, facilmente, cair no senso comum. No entanto, Elle é desafiador em seus desdobramentos. O filme foge do óbvio, pelas consequências que tal violência tem sobre a protagonista, na direção de sua empresa de games - composta exclusivamente por homens - e nas suas relações com o filho mimado, o amante carente, a mãe problemática e o pai serial killer.




La La Land: Cantando Estações (Damien Chazelle):

A incrível sequência de abertura cria uma expectativa que poderia facilmente levar ao desapontamento nas quase duas horas de filme. Entretanto, como em poucas vezes no cinema, a película não somente cumpre as expectativas, mas as supera. Seja pela adorável interpretação de Emma Stone, seja pela fotografia colorida que homenageia a Era de Ouro do Cinema, ou ainda pela poética iluminação quase neon (com uso de algumas pinturas de Edward Hopper) La La Land é um filme mais que obrigatório.



Aquarius (Kleber Mendonça Filho):

O diretor Kleber Mendonça decide usar seu cinema como um estope para suas ideias políticas e faz isso de maneira consciente. Aquarius incomoda ao acompanhar a luta de Clara (Sônia Braga) para que seu edifício não seja demolido porque o filme consegue mostrar os pontos sociais a partir de uma visão que poderia se tornar simplista e individual, mas não o é. O longa funciona como um recorte cirúrgico de questões que estão do nosso lado constantemente.



A Chegada (Denis Villeneuve)

Depois que 12 naves espaciais aparecem na terra, a professora de linguística Louise Banks (Amy Adams) é convocada para desvendar a comunicação desses visitantes. A Chegada é um daqueles filmes que te fazem encarar o desconhecido para então te levar ao caminho de auto-descobrimento. A inteligência do longa está em conseguir fazer isso sem perder seu ar de blockbuster e mesmo assim não se tornar um entretenimento que alguns anseiam por chamar de vazio.



11. Capitão América: Guerra Civil
12. Rogue One: Uma História Star Wars
13. O Homem nas Trevas
14. Águas Rasas
15. Procurando Dory
16. Moana: Um Mar de Aventuras
17. Julieta
18. Sully: O Herói do Rio Hudson
19. Zootopia
20. Caça-Fantasmas



Justiça:

Discutir temas que mexem com nosso íntimo, como indivíduos e sociedade, pode dar muito errado. Justiça, criação de Manuela Dias, coloca a justaposição entre a lei sistemática e a vingança costurando quatro histórias intercruzantes. Existe uma manipulação de roteiro surpreendente e por mais que alguns personagens se sobressaiam, principalmente por causa das atuações, o seriado instiga a audiência a ir para lugares que talvez ela não fosse por conta própria.



The Get Down:

A realidade do Bronx dos anos 70 pode parecer distante para quem não viveu aquela época ou naquele espaço, mas The Get Down consegue trazer a atmosfera em que está inserida e nos transportar. A vida daquelas personagens, atravessadas pela música, ganha força ao acompanharmos as adversidades que elas precisam enfrentar. A série te faz se importar com todos em tela e em entender as urgências que se apresentam de maneiras que muitas vezes não prevíamos.



Stranger Things:

Ao usar a década de 80 como contexto, mais do que uma homenagem aos clássicos, a série representa um tributo à Era de Ouro da fantasia no cinema. A história, no decorrer dos oito episódios, evolui na medida em que abraça o lúdico, o suspense e dose certa de sci-fi. Mesmo que a produção seja, a princípio, validada com os nomes de Ryder e Harbour, é o elenco infantil que consegue manter a atenção do espectador na trama em desenvolvimento, que é, acima de tudo, sobre amizade.



This Is Us:

Mesmo com uma premissa já batida, um grupo de pessoas ligadas pelo dia do nascimento, This is Us consegue surpreender pelas nuances do roteiro na forma honesta e inesperada como retrata as histórias de perda, auto aceitação, superação e perdão. Além disso, reúne um time competente de atores, com nomes como Milo Ventimiglia, Mandy Moore e Sterling K. Brown, e uma a direção cuidadosa que consegue dar a profundidade exata que a narrativa necessita.



Chewing Gum:

O humor precisa estar em boas mãos para conseguir fazer rir e, ao mesmo tempo, pensar. Chewing Gum, criada e protagonizada por Michaela Coel, faz até parecer fácil. Com uma personagem divertida, é impossível desviar os olhos, o que garante que você compreenda as piadas que tocam em diversos assuntos. Esse é o seu trunfo: discutir sobre qualquer coisa, de forma hilária e inteligente. Ok, ela é do ano passado, mas só chamou a atenção do público brasileiro quando chegou à Netflix neste.



Black Mirror:

A inquietação perante à realidade, a ausência de esperança e o anestesiamento provocado pela revolução digital é o tema central desta série que enxerga a tecnologia como uma droga, retratando seus efeitos colaterais a partir do uso desenfreado. Com um formato de antologia por episódios, mais do que uma distopia futurista, Black Mirror propõe uma discussão crítica sobre a natureza do humano refletida nas telas escuras que nos cercam em todos os lugares - aqui e agora.



Game of Thrones:

Mesmo após ter ultrapassado os livros de George R. R. Martin, a história não deixou de surpreender e apresentou, em plena sexta temporada, um dos seus melhores desempenhos. Apostando em uma narrativa mais movimentada e com inúmeros cliffhangers, Game of Thrones nos presenteou com inúmeros fan-services e cenas de ação épicas, como a incrível Batalha dos Bastardos, nos levando cada vez mais próximos ao clímax da saga.




The People v. O.J. Simpson: American Crime Story:

A antologia de crimes americanos fez sua estreia inesquecível ao transpor, de forma seriada, o julgamento de O.J. Simpson (Cuba Gooding Jr.). Sem parecer forçado ou desesperado, o roteiro se apoiou na realidade para discutir temas que nunca deixam a sociedade: o racismo estrutural, a misoginia constante e a presença voraz da mídia. Tudo isso amarrado em personagens que conhecíamos dentro e fora do tribunal, em uma construção extremamente digna.



Westworld:

Ousada, provocativa e inteligente são características que bem descrevem a nova aposta da HBO. A mistura de Velho Oeste com uma sociedade hipertecnológica, permeada por questões ético-filosóficas sobre a realidade e a consciência, prendem o telespectador em uma produção grandiosa que não poupou investimento nos cenários, abertura, trilha sonora e fotografia. Como se não bastasse, ainda tem nomes de peso como Anthony Hopkins, Evan Rachel Wood, Ed Harris e Rodrigo Santoro.



American Horror Story: Roanoke:

Depois de cinco temporadas com altos e baixos em suas histórias, Roanoke é a prova de que Ryan Murphy e Brad Falchuk ainda podem surpreender com American Horror Story. Trabalhando de forma incrível e cheia de metalinguagens as características da grande cultura do terror/horror, chegando a incomodar com o gore bem feito, e por vezes subvertendo-as, a narrativa se mostrou consciente de si, o que fez com que o roteiro pudesse explorar sem medo todos os lugares para os quais quis ir.



11. Luke Cage
12. The Crown
13. Insecure
14. Please Like Me
15. The Exorcist
16. The Night Manager
17. Mr. Robot
18. The Night Of
19. Daredevil
20. Orange Is The New Black
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